11 de out de 2012

GTO: do homem simples do campo ao reconhecimento de seu talento - a trajetória de um artista

         Geraldo Teles de Oliveira, o GTO é o nome de um dos maiores escultores de todos os tempos. GTO nasceu numa família simples. Seus pais são de descendência portuguesa e indígena. Juntamente com a mulher foi lavrador, de sol-a-sol, tendo exercido essa profissão por longos anos para sustentar sua família. Nascido em Itapecerica (MG) em 1º de junho de 1.913, veio para Divinópolis ainda jovem à procura de um emprego que pudesse melhorar a sua renda e mudar de vez sua vida. GTO morou no Rio de Janeiro onde trabalhou de funileiro. Quando retornou a Divinópolis, por volta de 1.962 foi ser rondante do Hospital São João de Deus (naquela ocasião em construção).

Geraldo Teles de Oliveira- a fé de um homem e sua arte monumental

         O artista; até então, ainda não havia revelado sua vocação para a arte. GTO estava desempregado e a família passava por dificuldades. Já com idade um pouco avançada pede a Nossa Senhora que interceda junto ao Pai e lhe conceda algo que possa fazer com que mude de vida. De posse do pedido o artista GTO tem um sonho onírico (revelador) em que pedem a ele para pegar madeira e fazer figuras. Surge nesse momento o artista com características rústicas que reproduz a igreja de seu bairro, utilizando-se apenas de um pedaço de madeira e de um canivete. Desde então, as esculturas de GTO são compostas por muitos simbolismos que normalmente são advindos dos sonhos que o artista vivenciou anterior a sua criação. Seu universo permeia a cultura indígena, astecas, maias e incas. Também o tema reinado é presença em sua obra. Sempre impulsionado pelos seus sonhos o artista que era católico praticante, inicia sua carreira de escultor com 52 anos de idade. No ano de 1.967 participa da sua primeira exposição individual na Galeria Guignard, em Belo Horizonte. Dentro de uma simplicidade jamais vista e de uma pureza ímpar, GTO ocupa papel de destaque entre os artistas primitivos brasileiros de renome internacional.

Participação em exposições - coletivas e individuais

Geraldo Teles de Oliveira - GTO, participou da X BISP, SP (1969); I Salão de Arte Contemporânea, BH (1969); Biennale Formes Humaines, Musée Rodin, Paris, França (1974); Sala Especial na XIII BISP (1975); I Salão de Artes Plásticas do CEC, Palácio das Artes, BH (1978); Bienal de Veneza, Itália (1980). Participou, entre outras, das seguintes mostras coletivas: Copacabana Palace juntamente com Rodelnégio Gonçalves Neto e Júlio José dos Santos, RJ (1968); Mostra de Arte Ingênua, BH (1968), 1ª Semana de Arte, Divinópolis (1969); O Processo Evolutivo da Arte em Minas, Palácio das Artes (1970); Brasil Export 73, Bruxelas, Bélgica (1973); Galeria Montparnesse, Paris (1974); II Festival Mundial e Africano de Arte e Cultura Negra, Lagos, Nigéria (1977); Mitos e Magia, Bienal Latino-Americana, SP (1978); Galeria Bonino, RJ (1980); Art Brut, Cine Metrópole, BH (1985); Arte em Madeira, Museu do Folclore, RJ (1986); I e II Madeira à Moda Mineira¸ Galeria Trem de Minas, RJ (1987-88); Coletiva promovida pela Vale do Rio Doce, RJ (1990); Centro Cultural UFMG- 10 Anos, Centro Cultural UFMG, BH (1999). Fez várias mostras em Divinópolis, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e em cidades do exterior. Foi realizada exposição póstuma durante a 31º`Semana de Folclore:Cinco anos sem novos sonhos de GTO, Galeira Paulo Campos Guimarães, BH (1995).

 Geraldo Teles de Oliveira - GTO: sobre o artista e sua obra:

Sobre o artista e sua obra foram realizados dois filmes de curta metragem: O Escultor dos Sonhos, de Camillo de Souza Filho e A Árvore dos Sonhos, de Carlos Augusto Calil.

Em 1977 a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, lançou um selo postal veiculando um de seus trabalhos, dentro da série dedicada ao II Festival de Arte e Cultura Negra e Africana.

Sua obra encontra-se em exposição permanente: Igreja do Senhor Bom Jesus, (Divinópolis); Prefeitura de São João Del’ rei, (MG); Museu Mineiro (BH), Fundação Clóvis Salgado e MAP, (BH); Casa de Cultura, (RJ).

A riqueza de detalhes encontrados nas esculturas de GTO empolgou Eduardo Simões, considerado o maior colecionador das obras de GTO no Brasil. Só na casa dele, em Nova Lima (MG), são 13 peças. Entre elas a que se destacou na exposição para chefes do estado, na ECO 92.

 

Em 1ºde junho de 2.013 comemora-se seu centenário de nascimento
GTO faleceu às 17h do dia 05 de junho de 1.990, quinta-feira, no mesmo Hospital São João de Deus, onde iniciara sua notável carreira de escultor, vítima de embolia pulmonar, provocada por insuficiência respiratória.

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